quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PRIMEIRA FASE - II

Num certo momento, a comunidade musical de S.P. centralizou-se no Bexiga. A quantidade de casas noturnas com música brasileira era enorme, e cada uma contratava 4 grupos que se revesavam. Um de choro, um seresteiro, um de "sambão" e um mais sofisticado, com um trio (piano, contrabaixo e bateria) as vezes um sopro e uma cantora, mais para o lado da bossa nova.
Então voces podem imaginar a quantidade de músicos que ficavam pelos bares ali da Sto. Antonio se "confraternizando" nos intervalos mais os que apareciam para visitar ou procurar "serviço". As batidas policiais também eram muito frequentes. Ali comecei a trabalhar e conhecer muitos músicos. Fora os que já citei que trabalhavam no Chez Regine, conheci o Anunciação, o Nene, o Paulo Braga, o Robertinho Silva, o Milton Banana, o Mutinho, (bateristas)o Macumbinha (violonista) o Dagmar, (trumpetista) o Amado Maita, o Zé das Flores, o Carlinhos Tumbadora, o Mozar Terra, o Tenório Jr., o Mario Edson, o Moacir Zwarg, o Luiz Melo, (pianistas),Jorge Oscar, Alex, Waldir, Zé Alves, Carlinhos Momjardim, Pete Wooley, o Fogueira,Claudio Bertrami, (contrabaixistas), o querido violonista e arranjador Antonio Barbosa, os também violonistas Manoel da Conceição, o "Mão de Vaca"e o Sidney do Valle, o "Palhinha, o Nivaldo Ornelas, o Nestico Aguiar, o Bauru, (saxofonistas), o Manezinho da Flauta, Evandro e seu Regional, o Theo da Cuica, o Dom Bira, o Chacal, os cantores Pedro Miguel, Mauricy Moura, Tião Motorista, Adauto Santos, Ellen Blanco, Germano Mathias, a Leny de Andrade, o Aostinho dos Santos, a Alaide Costa, Ana Maria Brandão... depois eu me lembro de mais alguns.
Os artistas internacionais naquela época, se apresentavam no Theatro Municipal, e invariavelmente depois de suas apresentações iam para lá também "confraternizar" e dar canjas com a gente.
Tive a oportunidade de conhecer o Duke Ellington, a Sara Vaugahn, o Errol Garner, o Cannobal Adderly, a Ella Fitzgerald, o Dizzy Gillespie, Blue Mitchel, e numa ocasião muito singular o Stevie Wonder, que apareceu no Telecoteco e fez de tudo. Tocou bateria com a gente, cantou, tocou bateria e depois fui com ele e os músicos dele para o Hotel San Raphael na Av. S. João, "confraternizar" mais um pouquinho até de manhã. Conheci também por lá os baixistas Alex Blakey e o Walter Booker, que se tornaram meus companheiros em N.Y. na segunda fase (75-80) este último tornando-se inclusive meu compadre.
Bem, chega de memória por hoje. Depois eu conto mais. Vou deixa-los hoje com duas faixas do L.P. que gravei com o conjunto do Edison Machado acompanhando o inesquecível Agostinho dos Santos em 1972. O último de sua carreira.
Ouçam 2 faixas desse L.P. Céu e Mar de Johnny Alf e Estrada do Sol de A.C.Jobim e Dolores Duran.

3 comentários:

Théo da Cuíca disse...

Agora estou postando no lugar certo.

Tudo que se fala dos musicos da noite de São Paulo é pouco.Na época em que o samba falava mais alto, a noite paulistana era a referencia. Era tudo que a musica brasileira merece. Obrigado pela citação.Um abraço Guilherme Vergueiro do amigo Théo da Cuíca. FUI...............

Théo da Cuíca disse...

Só os amigos dão creditos aos amigos. Os inimigos e incredulos, sentem inveja e rancor. São uns barbaros. Nos do velho Bixiga, Orgulhos da Saracura sabemos disso mas relevamos para o bem da musica brasileira. Mais uma vez obrigado por ser meu amigo Guilherme. FUI.................outra vez.

Lilu disse...

Mas que legal que primeiro, você apareceu, pois seus fãs te esperam. E depois que ótimo comentar sobre a rua Santo Antonio, onde havia o estúdio do Amado ( quantas histórias). Obrigada por lembrar do meu brother Nestico.
Um abraço
Lilu